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Comentário Universitário Spectrum. - II Trimestre de 2008.

O Mistério da Sua Divindade

Lição 2: 12 de abril de 2008

"A Humanidade de Jesus: Como Adão e Eva, ou como você e eu?"

David Larson *

Texto traduzido do Comentário Spectrum da Lição da Escola Sabatina de 5 a 12 de Abril/2008, “O Mistério da Sua Divindade”


O 1.o Concílio de Nicéia (325 AD) focalizou o Arianismo

Através dos séculos, os cristãos tem compreendido de variadas formas a alegação das Escrituras que em Jesus Cristo a Palavra se fêz carne. Nós adventistas do sétimo dia temos revisitado este território em nossa história muito recente. Nos primórdios, os primeiros cristãos eventualmente prevaleceram contra os Arianos, a visão segundo a qual a divindade de Jesus é secundária e subseqüente a de Deus. Essa era a visão dos primeiros adventistas. Até os dias de hoje, nem a cristandade em geral, nem o adventismo em particular, venceu completamente a luta contra todas as formas de Docetismo, a tendência de pensar que Jesus parecia ser verdadeiramente humano, mas, na realidade, não era.

Hoje, os adventistas do sétimo dia entendem a humanidade de Jesus de duas formas principais. Alguns defendem que essa humanidade era mais semelhante a de Adão e Eva antes da queda. Eles adotam esta posição principalmente porque estão preocupados que se fizermos Jesus muito semelhante a nós ele deixará de ser nosso Salvador. Outros afirmam que essa natureza era mais semelhante a nossa após a queda. Eles preferem essa alternativa principalmente porque se preocupam que se fizermos Jesus muito diferente de nós ele deixará de ser nosso Exemplo.

Uma terceira posição afirma que ele experimentou nossas fraquezas mas não as nossas propensões. Esse ponto de vista ainda não se fortaleceu. Por dividir as coisas de uma forma muito precisa, não sei se essa posição um dia chegará a fortalecer-se.

Um novo livro de Herbert E. Douglass repassa 50 anos do pensamento adventista sobre esse tópico sob o ponto de vista de alguém de dentro da organização que tem algumas reservas sobre o que aconteceu. O título é “Uma Bifurcação na Estrada: Questões sobre Doutrina: A Histórica Divisão Adventista de 1957”. O livro pode ser adquirido da Remnant Publications. Eu o recomendo.

As biografias de Raymond Cottrell e Desmond Ford, prestes a serem publicadas pela Adventist Today, revisarão alguns desses mesmos eventos a partir de pontos de vistas adicionais um tanto diferentes.Eles poderão ser úteis também. Documentos escritos na conferência de outono de 2007 organizada por Julius Nam, Jerry Moon, e Michael Campbell na Universidade de Andrews estão disponíveis na Internet. Julius Nam escreveu uma excelente dissertação que será publicada em breve.

Se eu tivesse que escolher uma das duas opções principais, eu votaria na visão que a humanidade de Jesus era mais como a nossa. Eu herdei essa opção dos meus pais e da maioria dos meus mentores da Universidade de Loma Linda. Além disso, é minha impressão que, na essência, é o que encontramos nos escritos de Ellen White. Essa é a posição de Karl Barth e Wolfhart Pannenberg, dois gigantes da teologia no nosso tempo, que também me influenciam.

Mesmo assim, gosto de pensar que tenho algumas razões de mim mesmo. Uma delas é que a psicologia nos ensina que os relacionamentos que temos nos ajudam a nos tornar as pessoas que somos. Não é como se primeiramente desenvolvêssemos plenamente nossas identidades e então entrássemos em relacionamentos com os outros cujas próprias identidades são também já totalmente estabelecidas. Em vez disso,todas as pessoas com as quais nos relacionamos fazem alguma contribuição para o nosso interminável processo de nos tornarmos indivíduos singulares, e por nossa vez fazemos o mesmo. Cada um de nós é mais que a soma de seus relacionamentos. Apesar disso, os relacionamentos fazem uma inescapável contribuição à nossa identidade.

Eu poderia crer que a humanidade de Jesus era semelhante a de Adão e Eva antes da queda somente se eu admitisse que nenhum dos relacionamentos que Ele teve ao longo de toda sua vida com pessoas comuns como eu e voce não fizeram qualquer contribuição a Sua identidade. Isso poderia conduzir para a Doutrina dos Imaculados Relacionamentos de Jesus. Eu não posso ir tão longe assim.

Em minha opinião, isso é uma consideração extraordinariamente decisiva. Uma coisa é sugerir que seu nascimento miraculoso poupou Jesus de ter uma natureza humana semelhante a nossa. Outra coisa é afirmar que Deus realizou outro grande milagre, ou incontáveis pequenos milagres, garantindo que nenhum de seus relacionamentos com pessoas comuns fizessem a menor contribuição para a sua identidade. A única outra opção que posso conceber é afirmar que os relacionamentos não contribuem para a identidade de qualquer de nossas vidas. Entretanto, não estou preparado para descartar todas as evidencias em contrário da psicologia.

As ciências comportamentais sempre se interessaram por discussões como essas; assim também fazem outras disciplinas acadêmicas. Deveríamos sempre conferí-las porque podem demonstrar-se úteis.

Contudo, a longevidade dessas discussões poder ser limitada porque todas as posições pressupõem uma hipótese que é obsoleta e antibíblica. Isso é o que podemos dizer sobre a “ natureza”, “substância”, ou “essência” de uma pessoa como se isso fosse uma “coisa imutável”. Pensar dessa forma pode ter feito sentido algum dia. Mas, não mais faz sentido.

Por séculos, as palavras "substância", "essência" e "natureza" se referiam ao sentido exato das mesmas sem levarem em consideração as mudanças dos relacionamentos e do tempo. A idéia era que a substância de uma coisa pudesse mudar sem que isso fosse aparente. Isso é o que a Doutrina Católica Romana da Transubstanciação ensina. Segundo essa doutrina, na missa as substâncias do pão e do vinho de fato se transformam nas substâncias do corpo e do sangue de Jesus embora permaneçam as mesmas em suas aparências exteriores.

Conforme essa forma de pensamento, o oposto também pode ser acontecer. A “substância”, ou “essência” ou “natureza” de uma coisa pode continuar a mesma mesmo que tudo mais esteja sempre mudando. Isso se parece com o que procuramos quando questionamos sobre a “natureza” humana de Jesus.

Mas a “substância do pensamento” é obsoleta e contrária a Bíblia. As pessoas humanas não são blocos de gelo sólido parecendo imutáveis e impenetráveis. Elas são jatos borbulhantes de água que aceleram na medida em que fluem. Isso não significa que Jesus foi culpável de qualquer forma, apenas que era verdadeiramente humano.

Por séculos, os estudos doutrinários sobre Jesus Cristo (Cristologia) têm distinguido entre sua “natureza” e seu “trabalho”. Isso é quase uma necessidade prática; entretanto, pode ser enganoso porque nEle o “Ser” e o “Agir” convergem entre si: "Jesus é" tanto quanto "Jesus faz".

* David Larson leciona na Escola de Religião da Universidade Adventista do Sétimo Dia de Loma Linda, localizada na Califórnia, Estados Unidos.

Tradução: Classe Universitários
IASD de Jd. Estádio
www.oestadio.com/escola.shtml


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