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"Quem foi Jesus?"
Lição 1: 05 de abril de 2008
"Quem Era Jesus? Ou, o Multi-Facetado Messias"
Norman Young *
Trecho extraído do Comentário Spectrum da Lição da Escola Sabatina de 29 de março a 05 de abril de 2008, “Quem foi Jesus?”
Esta é uma certeza sobre a identidade de Jesus: Ele era judeu. A natureza judaica de Jesus está acima de qualquer dúvida. Ele foi circuncidado no oitavo dia, ele adorava regularmente na sinagoga aos sábados, ele guardava a páscoa e as demais festas, ele falava aramaico, ele reverenciava a Torah (lei), o Seu Deus era o Deus de Israel, Seu estilo de ensinar era judeu, as questões que Ele debatia eram judaicas, Ele viveu sua vida inteira na palestina.
Contudo, Ele era igualmente um enigma para seus contemporaneous judeus; até mesmo para aqueles que o consideravam magnético e o seguiam como professor. Eles tentaram todas as classificações óbvias: João Batista, Elias, Jeremias, um profeta como Moisés (Mat. 16:14; Jo 6:14), mas nenhuma parecia adequada. Os evangelhos capturam o senso de pavor tanto das multidões como dos discípulos ao usarem numerosas palavras significando “assombro”. Note a linha crescente do evangelho de Mateus.
- “E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” Mat. 8:27
- “E, expulso o demônio, falou o mudo e as multidões se admiraram, dizendo: Nunca tal se viu em Israel”. Mat. 9:33
- “E toda a multidão, maravilhada, dizia: É este, porventura, o Filho de Davi?”. Mat. 12:23
- “E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo que este se maravilhava e dizia: Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos?”. Mat. 13:54
- “Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus.” Mat. 14:33
- “Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Mat. 16:16
Há um claro movimento nestes versos da deliberada pergunta “Que sorte de homem é este?” para um ato de adoração com aclamações “Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus”, e “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Desde tão antigamente quanto as primeiras décadas após a crucifixão de Jesus, os primeiros cristãos estavam endereçando as suas orações para Ele e buscando nEle graça (ou seja, favor divino). Que os primeiros crentes judeus fizeram isso, o que é incrível considerando o seu forte comprometimento com o monoteísmo, fica demonstrado pela preservação da invocação Aramaica maranatha (“Nosso Senhor vem”) em I Cor. 16:22–23. Isso se repete em grego no Apocalipse 22:20, e também é encontrado no verso litúrgico mais primitivo: Didache 10:6.
Orar a Jesus por ajuda e bênçãos O coloca na posição de Deus – e os crentes judeus devem ter reconhecido isso. Por conta disso, a crença dos cristãos na divindade de Jesus não foi criação de suas sutis reflexões teológicas, mas a consequência de sua espontânea adoração. A repentina exclamação de crença de Tomé foi um ato de adoração e louvor (“Senhor meu, e Deus meu”, João 20:28). A reflexão teológica veio mais tarde na medida em que os cristãos tentaram reconciliar o monoteísmo por eles adquirido do judaísmo com o que estava acontecendo em sua adoração diária. Os escritores do Novo Testamento refletem sobre as realidades da adoração dos cristãos primitivos quando aplicam a Jesus as funções e títulos que eram tradicionalmente prerrogativas exclusivas de Deus (por exemplo, o título Senhor e o perdão dos pecados em Seu nome).
Mas, a adoração dos cristãos primitivos também indica algo além, ou seja, que “a parousia [a Segunda Vinda] é essencial para a compreensão cristã sobre quem é Jesus” (Bauckham, 2001, 270).1 Os primeiros cristãos viviam dentro de um quadro temporal qualificado pela esperança expressada no desejo frequentemente expresso: “até que [Ele] venha” (Mat.10:23; Jo 21:22, 23; I Cor. 4:5; 11:26). Isso significa obviamente que eles não aceitavam que a crucifixão de Jesus tinha sido o final da Sua vida. Que Deus o ressucitou dos mortos é um fato igualmente essencial para a compreensão sobre quem foi e é Jesus. A crença em Sua ressurreição também transformou de tragédia para triunfo o entendimento deles sobre Sua morte, o que é especialmente siginificativo para mim enquanto escrevo num domingo de páscoa. Foi a ressurreição que elucidou a fé dos discípulos, como eles testificaram (I Cor. 15:1–11), e não a fé deles que criou a estória da Sua ressurreição dos mortos, como alguns afirmam.
Durante a época de furor gerada pelo filme de Martin Scorsese, "A Última Tentação de Cristo", a edição de 15 de agosto de 1988 da revista Time publicou a matéria de capa “Quem foi Jesus?” (Richard N. Ostling). Em dezesseis ocasiões a Time já havia colocado a face de Jesus em sua capa. De cerca de cem imagens, seu departamento de arte selecionou dezessete retratos (tanto antigos como modernos) para criar uma impressionante composição da figura de Jesus. Embora algumas das sugestões sobre a identidade de Jesus sejam contraditórias entre si, não há dúvida que a identidade de Jesus seja variada.
Quem foi/é Jesus? Ele é o Senhor ressucitado, e Ele é um judeu do primeiro século. Ele é o Filho de Deus, e Ele é nosso irmão (Heb. 2:11). Ele é o Senhor do mundo (Jo 4:42), e Ele é um profeta de Deus. Ele é a Vida do mundo (Jo 6:51), e Ele é o Crucificado (I Cor. 1:23). Ele é o revelador de Deus (Jo 1:18; 14:9-10), e Ele veio na fraqueza da humanidade (Rom. 8:3; Heb. 2:14, 17). Nós O adoramos como Deus, e nós O conhecemos como um amigo (Jo 15:14–15).
Notas e Referências:
1. Richard Bauckham, “The Future of Jesus Christ,” Markus Bockmuehl, ed., The Cambridge Companion to Jesus (Cambridge: Cambridge University Press, 2001), 265–80.
* Norman H. Young é pesquisador senior no Avondale College, instituição de ensino da Igreja Adventista do Sétimo Dia localizada em Cooranbong, Austrália.
Tradução: Classe Universitários
IASD de Jd. Estádio
www.oestadio.com/escola.shtml
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